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Vida online a um passo da vida real

Há algumas semana atrás, publicamos um texto chamado “Geração de contadores de histórias” inspirado no discurso de um estrategista social que chegou a criticar algumas das consequências da tecnologia que, segundo ele, tem criado pessoas menos humanas e mais antissociais.

Essa semana, no entanto, foi publicado um artigo no Trendwatching (leia ele completo aqui) sobre uma tendência que desmistifica a ideia de que a vida online é sinônimo de isolamento e de que essa nova era tem acabado com as interações humanas. A defesa dessa tendência está baseada no fato de que a revolução tecnológica está promovendo um número cada vez maior de encontros na ‘vida real’. Ou seja, milhões de pessoas entram em contacto com outras permitindo que acontecesse essa atual explosão de encontros, networking e socialização.

Mas que aspectos da sociedade conduziram a essa tendência?

O primeiro deles é que as pessoas amam estar conectadas. Por trás disso está a necessidade básica humana de interação e dependência emocional ‘do outro’. Dessa maneira, quando as pessoas expõem o que gostam, não gostam, seus interesses, preferências e opiniões, elas estão facilitando o processo de encontro com pessoas parecidas com ela.

Um outro ponto é que as pessoas adoram a “vida real”. Por mais que elas vivam grande parte dela online, a vida urbana e o acesso cada vez maior a eventos culturais, concertos, festivais, seminários, restaurantes, bares, festas, viagens (a indústria de turismo, por sinal, é uma das que mais crescem), mostra que pessoas vão querer sempre interagir e estar em contato com outras. Aliás, a internet cada vez mais mobile já vem acabando com o dilema online-encasulamento x offline-mundo real.

A quantidade de informações disponíveis também é um fator que permite grandes encontros de pessoas desconhecidas. Hoje há uma quantidade enorme de serviços, redes sociais e aplicativos que permitem mostrar onde você está, quem você é, o que pretende, etc.

E o que tudo isso significa? Pelo lado tecnológico da coisa, a expectativa é de que ferramentas mobile como iPhones, Apps, iPads, 3G, 3.5G, 4G, Wifi, GPS continuem a crescer com ainda mais força.

Para as empresas, a oportunidade está na inserção das marcas nesse contexto no sentido de oferecer serviços que ajudem as pessoas a entrarem em contato ou espaços para aqueles que têm vontade de encontrar outros semelhantes. Ao mesmo tempo, empresas que concentrarem seus esforços unicamente online deverão encontrar alguma maneira de incluir ações na “vida real”.

O fato é que estamos em uma era de grandes mudanças e toda essa revolução tecnológica tem permitido cada vez mais a exposição das pessoas. Estejam elas criando histórias, máscaras ou assumindo seus gostos e interesses, acredito que as ferramentas atuais permitem os dois lados da coisa: isolamento e interação. Ao mesmo tempo que em um lugar público alguém pode pegar um celular e se isolar de todos que estão ao seu redor, outros podem sair sozinhos de casa e usar o mesmo aparelho para mostrar onde está e encontrar diversos amigos e até desonhecidos.

Ainda vamos ouvir muitas críticas e elogios sobre essa revolução tecnológica, sempre havendo os dois lados para analisar. O importante é exercitar o olhar para os fatos e identificar tendências a fim de entender a melhor forma de se inserir nesse ambiente, ainda em construção.

A geração dos contadores de histórias

Já reparou nas inúmeras vezes que deixamos de curtir uma bela paisagem pois ficamos tentando enquadrá-la na tela da máquina fotográfica? E quantas vezes descobrimos que algum amigo está viajando depois de ver em diversas redes sociais mais de duzentas atualizações e comentários como “NY é demais!”.

O sucesso do twitter e de tantas outras redes sociais me despertaram uma reflexão que já vinha fazendo há tempos desde o boom das máquinas digitais e celulares com câmeras integradas. Essa reflexão é relacionada à ansiedade das pessoas em relatar tudo o que está acontecendo e até que ponto elas deixam de “aproveitar o momento” ou até mesmo, passam a criar situações para serem registradas.

E foi justamente esse o tema que o estrategista social Renny Gleeson tratou em um vídeo muito divertido do TED – ideas worth spreading. Em seu discurso, ele fala também sobre a atual obrigação de estarmos o tempo todo disponíveis e das diversas manobras que praticamos para checar o celular a todo momento. Nesse ponto, ele destaca o fato de que os celulares nos tornam mais antisociais e cada vez mais distantes até de quem está ao nosso lado.

Em outro determinado momento de seu discurso, ele cita uma frase muito interessante: “Our reality is less interesting than the story that I will tell”. Ou seja, hoje há uma necessidade tão grande de exposição que acabamos nos tornado pequenos contadores de histórias que, para atrair o público, criamos realidades que tendem a ser mais interessantes do que realmente são.

A questão é:  Será que a tendência é que haja cada vez mais essa superexposição e necessidade premente de provarmos quem somos, ou melhor, quem gostariamos de ser? E como diferenciar o real da fantasia diante dessas diversas formas de exposição que nos tornam, em partes, mais próximos e mais distantes?
Renny termina seu discuso com um pedido, que ao meu ver é super pertinente: “Devemos criar tecnologias para fazer as pessoas mais humanas e não menos”.

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